Casa museu Isla Negra

Ricardo Eleazar Neftalí Reyes Basoalto, mais conhecido com o pseudônimo de Pablo Neruda, nasceu em 12 de julho de 1904 na cidade de Parral, situada no Sul do Chile, e faleceu em 23 de setembro de 1973 em Santiago.

Seu pseudônimo, oficializado como nome verdadeiro em 1946 após entrar com uma ação legal, é uma homenagem ao poeta tcheco Jan Neruda (1834-1891).

Pablo Neruda (Foto: Google imagens)

Pablo Neruda (Foto: Google imagens)

Pablo Neruda foi um dos mais importantes poetas do século XX e tem suas obras marcadas em fases distintas.

Ele pode ser lírico, com grande angústia e sentimentalismo de Vinte Poemas de amor e uma canção desesperada (1924) ou pode elaborar versos de cunho político e, em alguns momentos, com características épicas, como é o caso de Canto geral (1950).

Entre suas obras, além das citadas anteriormente, estão: Crepusculário (1923), Tentativa do homem infinito (1926), Residência na terra (1935), Odes elementares (1954), Confesso que vivi (1974), e muitas outras.

O poeta chileno está enterrado na casa de Isla Negra, que assim como suas demais casas (La Sebastiana, em Valparaíso, e La Chascona, em Santiago), são atualmente museus administrados pela Fundação Pablo Neruda.

Ao contrário do que diz o nome, Isla Negra não é uma ilha. Trata-se, na verdade, de uma pequena vila de pescadores no litoral chileno distante um pouco mais de 100 km de Santiago.

O local, originalmente chamado de Las Gaviotas, foi rebatizado por Neruda (“isla” talvez porque ali podia isolar-se para escrever e “negra” devido à cor das rochas) que, após um período na Europa, buscava um refúgio para escrever Canto geral. É neste lugar em que foi escrita boa parte das obras.

Casa-museu Isla Negra (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Casa-museu Isla Negra (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

O poeta comprou o imóvel de um velho marinheiro espanhol. Neste período contava apenas com uma pequena cabine de pedra, que foi crescendo de 1943 a 1945 com a assessoria do arquiteto catalão Germán Rodríguez Arias. Posteriormente, em 1965, novas adições foram projetadas pelo arquiteto Sergio Souza.

Em ambas as intervenções, Neruda buscou evocar elementos ou sentidos da cidade em que passou sua infância (Temuco).

Amante do mar, apesar de não ter sido marinheiro, o poeta gostava de ficar perto dele e, por isso, trazia motivos marinhos para dentro de suas casas.

Sino em Isla Negra (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Sino em Isla Negra (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

As coleções mais importantes são compostas por mapas, instrumentos de navegação, barcos dentro de garrafas, conchas, dente de uma baleia cachalote, além de peças de artesanato de outros povos, como máscaras orientais e incas, brinquedos de sua infância, sapatos antigos e muitas outras peças.

Assim como La Chascona e La Sebastiana, Isla Negra é repleta de objetos do mundo todo, cerca de 3.500 espalhados pelos diversos cômodos (Modkovski, 2008).

Sala de jantar  (Foto: Fundação Pablo Neruda)

Sala de jantar (Foto: Fundação Pablo Neruda)

Neruda não se dizia um colecionador, mas um “cosista” (coisista”), alguém que gosta de coisas e as acumula (idem). O museu também abriga exposições de arte no hall e “El Rincón del Poeta”, um café-restaurante premiado e especializado nas receitas do próprio poeta (idem).

Neruda viveu na casa de Isla Negra até poucos dias antes de sua morte, que se deu 12 dias depois da subida de Augusto Pinochet ao poder.

Depois do golpe, as três casas foram fechadas e saqueadas pelos militares.

No ano de 1986, a Fundação Pablo Neruda obteve o controle do imóvel, restaurou os prédios em 1989 e os abriu ao público em 1990 – coincidentemente no mesmo ano do fim do regime de Pinochet.

Casa-museu Isla Negra

A visita na casa de Pablo Neruda em é uma viagem pelo universo do poeta, pela cultura chilena e pela história do século XX. Isla Negra, que não é uma ilha e se situa em uma vila de pescadores no litoral chileno, é onde fica a maior parte do acervo do poeta. A casa, construída aos poucos pelo próprio escritor, foi concluída em 1965, e possui em seu jardim um vagão de um trem, em uma homenagem ao seu pai, que foi ferroviário.

Casa museu Isla Negra (Foto: Natália Landeiro)

Casa museu Isla Negra (Foto: Natália Landeiro)

A casa, assim como as outras casas do escritor, está repleta de objetos de todo o mundo, aproximadamente 3500 peças, espalhados por todos os cômodos. Incluem obras de arte, peças de artesanato dos índios mapuches, quadros, gravuras, fotos, garrafas, mapas e instrumentos de navegação.

A casa se assemelha com um cenário, mas é um ambiente aconchegante. Segundo o próprio escritor, “Em minha casa tive brinquedos pequenos e grandes, sem os quais eu não poderia viver. Edifiquei minha casa como um brinquedo e brinco nela da manhã à noite”.

A casa de Neruda pode ser classificada em dez divisões, onde cada área da casa teria sua importância a ser transmitida. Facilitando assim a prática de interpretação tanto para a população local, quanto para os visitantes, a divisão seria assim:

Peixe para todo lado

Fascinado pelo mar, Neruda transformou o peixe na figura-símbolo de seu brasão. Em Isla Negra, ele aparece na entrada da casa, no jardim e até no telhado, onde o tradicional galo que indica a direção do vento é substituído pelo animal.

Peixes de Neruda (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Peixes de Neruda (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Lembrança de infância

Peças diversas faziam parte da coleção do escritor, que tinha uma sala inteira dedicada a brinquedos.

Destaque para um cavalo de papel machê em tamanho natural, que decorava uma loja em Temuco, sul do Chile, e era objeto de fascinação do poeta quando criança.

Cavalo de Neruda (Foto: Fundação Pablo Neruda)

Cavalo de Neruda (Foto: Fundação Pablo Neruda)

Formatos estranhos

Garrafas coloridas estão espalhadas por toda a casa. No bar, é possível ver uma extensa coleção, de vários formatos. Algumas delas parecem mãos segurando facas, veleiros e botas. Outros modelos, mais comuns, ficam no corredor que conduz ao escritório.

Palavras flutuantes

A portinhola de uma embarcação trazida pela correnteza marítima foi transformada em mesa de trabalho e posicionada em frente a uma janela com vista para o oceano Pacífico.

Local de alento e ideias (Foto: Fundação Pablo Neruda)

Local de alento e ideias (Foto: Fundação Pablo Neruda)

Ali nasceram algumas obras-primas, como o livro Canto Geral (1950).

Homenagem ao pai

Além do mar, os trens seduziam o chileno, que era órfão de mãe e foi educado pelo pai, o ferroviário José Reyes Morales. No jardim, uma locomotiva gigante homenageia José.

Trem em Isla Negra (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Trem em Isla Negra (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Alguns cômodos da casa se parecem com um vagão, em especial os quartos que têm portinholas pequenas e janelas gigantescas voltadas para o mar.

Estátuas vivas

Um dos aspectos mais impressionantes do acervo é a coleção de carrancas retiradas de proas de navios. Todas elas possuem nomes e estão dispostas em diversos cômodos, sendo que grande parte encontra-se na sala de visitas.

Sala de estar na casa em Isla Negra (Foto: Fundação Pablo Neruda)

Sala de estar na casa em Isla Negra (Foto: Fundação Pablo Neruda)

O poeta dizia que, uma vez por ano, o espírito delas retornava do mar para fazer uma grande festa.

Poesia visual

Os muros de madeira que cercam a residência são cheios de frases deixadas pelos visitantes. Depois de alguns passos, a poesia continua no ar.

Na entrada, uma pequena coleção reúne objetos de várias partes do mundo, incluindo um quadro que faz referência à tela Guernica, de Pablo Picasso (1881-1973).

Para a posteridade

A estrutura de madeira que sustenta a casa é talhada com frases e nomes.

Logo na entrada é possível ver inscrições como “PM – 1958” (“Pablo e Matilde”; Matilde Urrutia foi a última das três esposas do escritor) ou “Construyendo la alegria” (“Construindo a alegria”).

Mensagem deixada por Pablo Neruda (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Mensagem deixada por Pablo Neruda (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Amor pelo mar 

Esta âncora abaixo, fica no jardim, com vista para o oceano.

Apesar de ser apaixonado pelo mar, Neruda tinha pavor de entrar em suas águas.

Âncora em Isla Negra (Foto: Travelblog)

Âncora em Isla Negra (Foto: Travelblog)

Ele costumava dizer: “Há anos coleciono conhecimentos que não me servem muito, porque navego sobre a terra”.

Coleção na entrada

Pouco antes de entrar na casa, que fica no alto de um morro, o visitante depara com uma pequena galeria de quinquilharias.

Coleção de objetos de todo o mundo (Foto: Fundação Pablo Neruda)

Coleção de objetos de todo o mundo (Foto: Fundação Pablo Neruda)

A maior parte dos objetos são dos mais diversos tamanhos e materiais, adquiridos pelo poeta em diferentes partes do mundo.

Legado 

Pablo Neruda foi um ícone em se tratando da linguagem escrita.

Seus poemas exaltavam a vida do homem comum e falavam sobre encontrar a beleza nas coisas simples, bem como sobre a arte do amor e a solidão, pois ele era apaixonado pela vida, tanto a humana quanto a marinha.

Sua afeição e curiosidade sobre este tema rendeu a ele projetar e construir três casas, La Chascona, em Santiago, La Sebastiana em Valparaíso e a terceira e mais visitada, a casa de Isla Negra.

Suas casas tinham formato de barco, com portas estreitas, piso e paredes amadeirados e grandes janelas com visão diretamente para o mar. Além disso, Neruda era aficionado em colecionar coisas (mapas, carrancas, conchas, etc.) sendo os objetos relacionados a vida marinha e navegação seus preferidos.

Sua casa em Isla Negra é atualmente um museu, sendo reaproveitado o espaço original para a visitação, expondo suas intrigantes coleções para visitantes vindos de diversas partes do mundo.

Museu Pablo Neruda em Isla Negra (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Museu Pablo Neruda em Isla Negra (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Pablo Neruda, além de poeta renomado e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura do ano de 1971, era um diplomata influente. Estas viagens que fazia para diversos países, rendiam-no aumentar suas coleções, já que de cada lugar visitado ele trazia uma lembrança da cultura local.

Vivendo a maior parte do tempo de sua vida perto das águas geladas do Pacífico, em sua casa de Isla Negra, Neruda gostava de escutar o som das ondas do mar e observar a imensidão do oceano, enquanto inspirado, escrevia seus poemas.

Oceano Pacífico (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Oceano Pacífico no horizonte (Foto: Matheus Pinheiro de Oliveira e Silva)

Após sua morte, ele foi sepultado no jardim de sua casa em Isla Negra, juntamente com sua terceira mulher, Matilde, a qual dedica grande parte dos poemas escritos e sua vida de aventuras extra-conjugais.

O legado deixado após sua morte, além das obras literárias escritas com louvor, foram também suas casas. A casa de Isla Negra é tão grande e possui uma ampla coleção de objetos aos quais Pablo Neruda era aficionado, que atualmente é um dos museus mais visitados do Chile.

O público visitante é facilmente generalizado a pessoas que apreciam a vida e as obras de Neruda, mas também a curiosos que pretendem sentir como este mestre da literatura vivia.

Estão presentes diariamente pessoas de diversas faixas etárias no local, sendo majoritariamente visitado por grupos de famílias de lugares distintos do Chile e do mundo. Em média são 28.800 pessoas visitando o museu por ano.

O turismo é a principal fonte de exploração econômica da localidade Isla Negra, sendo os principais atrativos a casa-museu de Pablo Neruda, as rochas negras e água gélida do oceano Pacífico e restaurantes que preparam deliciosos frutos do mar.

Entretanto Isla Negra é uma localidade que se apropriou do turismo e vice-versa, principalmente pela história de vida que Neruda deixou neste local.

Assim sendo, a casa-museu é de importância vital para a economia local, pois emprega dezenas de moradores da área, além de ser a principal atração da indústria turística da cidade, o que gera ainda mais empregos.

Informações úteis

Localização: Poeta Neruda s/n, Isla Negra, El Quisco.

Horário de funcionamento:

Março à dezembro – de terça-feira a domingo das 10:00 às 18:00 horas.
Janeiro e fevereiro – de terça-feira a domingo, das 10:00 às 20:00 horas.
Fechado às segundas-feiras.

A entrada tem um valor de $ 5.000 pesos chilenos(aproximadamente R$ 29,00 – cotação do dia 21/12/2015)
Estudantes e idosos com mais de 60 anos pagam $ 2.000 (aproximadamente R$ 11,60 – idem)

Referências

Fundación Pablo Neruda. Isla Negra. 2015.

Universidad de Chile. NERUDA. 2015.

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