Medellín – experiência para a vida

Como tudo começou

Depois de um ano conturbado em 2013 por ter perdido meu primeiro vestibular, iniciei o ano de 2014 com a sensação de que mais nada de bom poderia me acontecer naquele ano: fui aprovada entre os primeiros lugares em duas universidades no curso que eu sempre sonhei estudar, Jornalismo.

Apesar da relutância dos meus pais em relação ao Jornalismo, tinha um namorado super companheiro e, mesmo estando só em fevereiro, aquele ano já tinha sido rotulado como “o melhor de todos os tempos”.

Olhando em retrospecto, vejo o quanto estava me acomodando por pouca coisa. Mas ai vieram as aulas.

Durante o meu primeiro dia na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), na recepção dos feras, ou bixos como chamam em outros estados, a AIESEC estava lá e desde os instantes iniciais. Essa organização me encantou e desafiou.

Saindo do auditório fui convidada para tirar uma foto no stand da AIESEC em Maceió, sendo que a foto seria parte de uma promoção na página do Facebook, onde a mais curtida ganharia um intercâmbio.

Apesar de todas as minhas dúvidas, ganhei a promoção e o próximo passo seria escolher o meu destino.

Colômbia e o intercâmbio

A Colômbia surgiu bem por acaso na minha busca por vagas. Eu ainda não sabia ao certo o que queria fazer e eram tantas opções de destino que eu achava que a minha cabeça ia dar um nó.

Ali mesmo eu já sabia que só um intercâmbio não daria conta. Depois que eu fiz a entrevista, não tinha mais jeito: Partiu Medellín!

Partiu Colômbia!

O pessoal da AIESEC UdeA, comitê que me recebeu foi super atencioso desde o inicio. Assim que foi oficializada a minha aceitação na vaga, eles me colocaram num grupo do Facebook junto dos outros intercambistas e membros do comitê. Minha ansiedade foi no céu nessa hora!

Comecei a adicionar todo mundo e conversar aleatoriamente com as pessoas, saber mais sobre a cidade, sobre a cultura, sobre as crianças do projeto, etc…

Recepção em Medellín (Foto: Vitória Canuto de Alencar)

Recepção em Medellín (Foto: Vitória Canuto de Alencar)

Depois disso, eu já tinha entendido que era tudo sobre as pessoas. O comitê que me recebeu era novinho, então a atmosfera era muito amiga e eu era a primeira brasileira que eles recebiam.

Quando eu cheguei em Medellín, uma verdadeira comitiva esperava por mim, com cartazes de “bem-vinda”. Aquilo super tranquilizou qualquer medo que eu tivesse e fez eu me sentir acolhida. Minha host também foi me receber, então fomos juntas para casa…. de metrô!

Algumas pessoas dizem que em certo ponto da primeira semana você “pira”, mas comigo foi logo no primeiro dia.

Como assim a gente ia de metrô? Com as minhas malas? E os ladrões? E os assaltos? Se levarem a minha mala eu vou morrer!!!!

Gente, pesquisem Maceió no Google e compreendam a minha aflição.

Hoje eu agradeço pelo fato de em nenhum momento eles terem facilitado as coisas para mim. Eu sempre falava sobre ter independência em casa, mas nunca tinha sentido na pele as responsabilidades que isso carrega até estar no meu intercâmbio.

Eles sempre agiram comigo na maior naturalidade, posso contar nos dedos de uma mão as vezes que andei de carro enquanto estava na Colômbia. Lá foi level hard mesmo, vivendo TODOS os aspectos da vida de uma cidadã paisa.

Recepção na nova casa colombiana (Vitória Canuto de Alencar )

Recepção na nova casa colombiana (Vitória Canuto de Alencar )

Então eu acordava pela manhã dizendo “Buenos Dias!” para minha família colombiana e já tinha gasto todo o meu espanhol. Na primeira semana, foi tudo na base da mímica e imagens. No desayuno (café da manhã)minha irmã Juliana apontou para tudo que tinha na geladeira e foi me dizendo o nome de cada coisa.

Demos voltas pelo bairro para que eu me situasse e ela me acompanhou até o meu trabalho no primeiro dia. Como eu almoçava no trabalho e todos os outros intercambistas eram de países de língua espanhola, eu pedia a mesma coisa que alguém todos os dias.

Dai vem um fato que eu achei suuuuper interessante: lá na Colômbia eles tomam sopa antes das refeições. Não sei como funciona em outras regiões do Brasil, mas pelo menos no Nordeste, a sopa é um prato principal, não entrada. E nem sempre é obrigatória a presença dela na mesa. Mas lá sempre tinha: de frango, verdura, feijão… todos os dias, durante a minha sopa pré-almoço, eu lembrava da minha avó.

Mas fora esse aspecto curioso, a culinária colombiana é bem parecida com a brasileira e muito saborosa, não tive dificuldades em comer enquanto estava lá. Além da sopa como entrada, 3 coisas me tiraram um pouco do eixo enquanto estava em Medellín: 1) Arepas. Não gostei, desculpa, amigos. 2) Não tem pizza de frango com catupiry. Nada de catupiry. 3) Frutas no prato do almoço. Sempre tinha uma banana assada ou um abacate junto do prato e eu sempre pedia para tirar. Pequenas esquisitices a parte, passei muito bem.

Arepas colombianas (Foto: emilani)

Arepas colombianas (Foto: emilani)

Trabalhei em um mercado público chamado Plaza Minorista, com crianças em situação de exploração infantil. Meu trabalho junto dos outros três intercambistas era conscientizar não só elas, mas toda a comunidade do mercado que o lugar delas era na escola e não trabalhando no mercado.

Para isso, fizemos muitos workshops com os hombres de carritos, homens que trabalhavam levando mercadorias em seus carrinhos de mão para comerciantes e clientes. A maioria das crianças que frequentavam nossas aulas eram filhos e filhas desses homens.

Alunos (Foto: Vitória Canuto de Alencar)

Alunos (Foto: Vitória Canuto de Alencar)

Eu circulava muito pelo mercado, fosse para ir almoçar, em busca de mais crianças para nossas aulas ou para conhecer. Dessa forma, tive a oportunidade de conhecer de perto aquela gente, seus costumes e hábitos. Eu pude conviver de perto com todas as faces da população de Medellín, desde os mais privilegiados até os menos favorecidos.

Acredito que por isso me sinta também uma cidadã colombiana: eu realmente estive inserida na sociedade deles e tive a experiência de moradora, não de turista.

Trabalhar em Plaza Minorista foi o maior desafio pelo qual já passei, mas digo orgulhosa que venci isso. Passar por esse obstáculo em companhia de três pessoas incríveis, que queriam mudar aquela realidade tanto quanto eu, nos uniu como irmãos.

Nos víamos todos os dias e compartilhávamos os sucessos e fracassos de cada tentativa, planejávamos as aulas e o que queríamos fazer as crianças enxergarem.

Nos apegamos muito à elas também. As crianças tinham uma curiosidade enorme, 100% ativada para tudo que nós falávamos e compartilhávamos sobre nossos países de origem. Muitas vezes passávamos mais tempo além das aulas com elas, ensinando português, jogos bolivianos ou respondendo à perguntas.

Alunos e equipe no Mercado de Plaza Minorista (Vitória Canuto de Alencar)

Alunos e equipe no Mercado de Plaza Minorista (Vitória Canuto de Alencar)

Voltei da Colômbia mais consciente: de mim, do meu papel no mundo. Voltei sem casa: cidadã do mundo.

Tenho amigos em todo lugar que não consigo aguentar de ansiedade em revê-los. O intercâmbio foi a melhor experiência da minha vida.

Por causa dele tive contato com sensações, pessoas, culturas – e até comigo mesma – que eu não teria tido caso não tivesse me permitido sair do meu lugar. Aprendi que viver é isto, é estar em movimento.

Já estou de malas prontas para o segundo!

Dados do Intercambio:

Período de realização: Julho à Agosto de 2014
País de destino: Colômbia
Projeto Realizado: COOMERCA

Quer saber mais como realizar um intercâmbio como esses?

Clique aqui e faça suas malas!

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