Intercâmbio social em Quito

A gente sabe que o intercâmbio social da AIESEC é sobre impacto positivo em uma sociedade, saída da zona de conforto e desenvolvimento de liderança.

O que a gente não sabe é que a princípio, nessa saída de zona de conforto, você começa a se perguntar se realmente está pronta para isso, e quando está perto do fim, suas lágrimas estão sendo seguradas, porque você não quer deixar aquilo, você finalmente entende as engrenagens e não quer parar.

Partir para América Latina foi uma decisão demorada, nunca me pareceu opção fazer intercâmbio em um país que ficasse no mesmo continente que o meu.

África e Leste Europeu me pareciam destinos melhores para o que eu buscava fazer. Mas a pergunta de qual país me desenvolveria mais pesava constantemente, visto que para uma estudante de jornalismo que quer abraçar o mundo ter tal barreira com países da América Latina não parecia correto.

Encontrar então um projeto para trabalhar na TECHO (TETO) através da AIESEC parecia ser apenas a confirmação de que eu deveria sim, ir para América Latina. E assim, depois ouvir Latinoamerica inúmeras vezes, estava eu partindo para Quito, no Equador, cujas únicas coisas que sabia eram que existia a Linha do Equador e a cidade era rodeada de vulcões.

Amigos de intercâmbio (Foto: Lorena Krebs)

Amigos de intercâmbio (Foto: Lorena Krebs)

O primeiro choque veio no avião, quando percebi que eu não entendia nem 3% do que eu pensava entender do espanhol – somente para descobrir horas depois que nem era tão difícil assim. O segundo choque veio na hora do primeiro almoço em terras quitenhas, quando me serviram uma sopa, e minutos depois um prato com arroz, carne e salada. Comer tanto em apenas uma refeição – e ter sopa no meio – foi uma descoberta e tanto para alguém que come feito passarinho.

Fui recebida com um tempo que – para mim, acostumada com 40ºC – era frio pra caramba, mas isso foi compensado pela receptividade das pessoas. Muito parecidos com os brasileiros, inclusive, sempre querem que você coma muito e sempre desejam “que te vaya bien”, algo semelhante ao costumeiro “vai com Deus”.

As pessoas da TECHO também são extremamente receptivas e acostumadas com inúmeras culturas, sempre recebem intercambistas e tem em sua diretoria pessoas de outras nacionalidades. Trabalhar com eles foi um aprendizado muito grande, principalmente sobre a realidade do Equador.

Equipe do TECHO no projeto de Quito (Foto: Lorena Krebs)

Equipe do TECHO construindo casas (Foto: Lorena Krebs)

Cheguei lá em um momento de mudança para eles e dentro do meu projeto tive que desenvolver habilidades que não possuía muito, como mexer com Illustrator (software de design gráfico) ou até mesmo escrever releases em espanhol. Para quem pensava que pouco entendia de espanhol, fazer materiais institucionais e textos e espanhol requeriam muito da minha atenção.

Durante as seis semanas tive oportunidade de participar de uma construção de casas em uma cidade litorânea a umas oito horas de Quito e posso dizer que zona de conforto realmente não existiu nessa construção, mas a dificuldade em entender nomes de ferramentas em espanhol quis continuar presente.

construindo-casas

Construindo casas no projeto do intercâmbio social (Foto: Lorena Krebs)

Conhecer a realidade de comunidades carentes do Equador, conhecer pessoas do país inteiro e de outros países também, perceber que sou capaz de muito mais do que imaginava e poder ver a alegria estampada no rosto da família que estava recebendo a nova casa, com certeza fizeram destes três dias os mais importantes da minha jornada no Equador!

Equipe de intercâmbio após construção da casa (Foto: Lorena Krebs)

Aprender sobre o Equador de perto me deu uma outra perspectiva sobre América Latina, sobre El Niño, sobre vulcões e suas repercussões na vida das pessoas, sobre pronúncias distintas de espanhol e até mesmo sobre economia.

Minha família equatoriana foi de grande ajuda nisso, abriram as portas de sua casa, e também de suas memórias – ao me contarem inúmeras histórias – sempre me auxiliaram a entender o contexto político-econômico, a cidade e o sistema de transporte público.

Crianças equatorianas (Foto: Lorena Krebs)

Crianças equatorianas (Foto: Lorena Krebs)

A maior surpresa durante as seis semanas era receber perguntas sobre o governo brasileiro, as corrupções ligadas a grandes companhias e perceber o quanto eles sabem do cotidiano brasileiro – e o quanto admiram o país (Sempre torcem pelo Brasil nas Copas do Mundo, inclusive, ficaram tão tristes quanto nós no último jogo brasileiro da Copa de 2014).

Sinto que meu maior aprendizado enquanto Cidadã Global em Quito foi ver a América Latina com outros olhos, entender o contexto de um país próximo da mesma maneira que eu entendo de um país separado por um oceano, me apaixonar pela cultura e tradições e quebrar aquele paradigma de que intercâmbio a gente só faz para outro continente que não o nosso.

Dados do Intercambio:

Período de realização: 22 de julho à 06 de setembro de 2015
País de destino: Equador
Projeto Realizado: COMUNICAÇÃO TECHO

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3 Comments

  1. Olá Bruna! A Lorena foi trabalhar voluntariamente em um projeto que demandava as aptidões dela em jornalismo. A experiência de construir casas do programa TECHO foi uma oportunidade que ela teve com o decorrer do momento. Ou seja, ela aprendeu na hora e desenvolveu muito mais conhecimento e habilidades do que estava esperando!
    Que tal você fazer igual ela e buscar um intercâmbio desses?

  2. Caramba, parece ser muito legal e claro experiencias são sempre bem vindas.
    Amei o texto, me deu uma vontade de fazer um novo intercambio.
    Quem sabe não tento este ano depois de julho.
    Parabéns a Lorena.

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