Intercâmbio voluntário no Peru

Explorando as experiências de intercâmbio voluntário no Peru

Peru me ofereceu uma das melhores e mais loucas experiências da minha vida, o meu intercâmbio voluntário em Lima.

Eu sou Estela Mírian de João Pessoa, Paraíba, e vim falar um pouco desta maravilhosa etapa em minha vida.

Sempre quis fazer um intercâmbio. Tentei diversos programas do governo, fiz seleções, mas nunca parecia que era a hora, nunca parecia que eu iria passar por mais que eu tentasse.

A ideia de viajar sozinha, por conta própria com meu próprio dinheiro e sem ninguém conhecido por perto me aterrorizava.

Sem falar da minha condição financeira que me impossibilitava de realizar diversos sonhos.

Em meio a tantas dificuldades, insegurança, medo, não havia nada nem ninguém que conseguisse colocar na minha cabeça que eu poderia viajar, não com meu próprio dinheiro. Parecia um sonho muito distante.

Várias vezes eu pensava: “Como eu que não tenho dinheiro para ir para Recife (em torno de 30 reais) poderia sair desse Brasil? Só depois de muito tempo de trabalho mesmo, daqui a uns 6 anos”.

Desempregada, estudante, desesperançada. Eu não iria viajar.

Mas sempre tem aqueles dias, não é? Aqueles dias que sem motivo aparente, você acorda e se sente mais motivado, que o sol brilha mais e você sente que é capaz, sente que está na hora de sair da sua cúpula, de sair dos trilhos, de se aventurar. Então, surgiu uma oportunidade de promoção e depois de muitas conversas com os amigos, mesmo que ainda relutante, eu senti que era hora de dar uma chance ao intercâmbio voluntário.

Assinei o contrato sem nem mesmo ter certeza daquilo e com 0 dinheiro no bolso. Só de pensar na possibilidade meu coração vibrava e minha mente perguntava se eu estava ficando louca. Sem nenhum apoio da família, nem mesmo moral, e com a ajuda de alguns amigos comecei a me movimentar para tirar esse sonho do papel.

Foram diversas rifas vendidas, vendas de bolos no pote, garrafas de água, financiamento coletivo, bicos, bazar, muito suor e lágrimas no caminho até eu finalmente possuir o dinheiro para viajar.

Ainda sem acreditar que aquela menina, estudante de escola pública, criada e moradora de comunidade periférica estava finalmente embarcando em um avião, rumo ao exterior, rumo ao inesperado!

CHEGADA AO PERU

Com toda emoção que podia carregar dentro de mim, cheguei no Peru onde fui muito bem recebida pela minha buddy Camila e meu irmão da minha host family Jean.

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Chegada ao aeroporto (Foto: Estela Mírian)

Não há nada melhor que ser bem recebida e acolhida em outro país.  

Nunca tinha estudado espanhol e tive que desenrolar o máximo que pude com o meu inglês e com um portunhol arrastado. No fim, deu certo e logo cheguei no meu lar.

A minha host family me acolheu muito bem. Fui hospedada por um irmão e uma mãe que estava lutando contra o câncer e não fazia nem um ano que tinham acabado de perder o pai, de maneira inesperada. E mesmo diante de todas as dificuldades encontradas, toda situação que estavam passando, eles me hospedaram e me acolheram muito bem.

E todo momento que eu estava lá, era uma alegria para eles assim como era para mim. Foi muito bom!

Na mesma semana em que cheguei, o comitê local deu todo o suporte, fez seminário de integração com todos os intercambistas e assim, pude conhecer outras pessoas de outros países que estavam lá na mesma cidade que eu para impactar.

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Intercambistas brasileiros no Peru (Foto: Estela Mírian)

Eles explicaram um pouco da cultura, os principais pontos turísticos da cidade, qual era o nosso propósito, como funcionava o projeto e deram dicas de transporte e informações sobre a segurança na cidade.

PROJETO

O projeto que eu trabalhei foi o Impacta Hoy que visava transformar as crianças e adolescentes responsáveis pelo impacto no mundo, envolvendo educação de empreendedorismo. O lar que eu fiquei para trabalhar acolhia meninas que foram sexualmente abusadas por alguém da família e por estarem em situação de risco eram afastadas do agressor(a) e ficavam em uma casa das meninas recebendo suporte, apoio psicológico, educação, esportes, arte, entre outros.

Confesso que no início foi difícil ver crianças tão novas com um passado tão pesado e algo já marcou sua infância tão profundamente. Mas elas, mesmo com tudo, ainda carregavam um sorriso de criança de que só queriam aprender e se divertir.

Então, trabalhamos ao máximo para que elas passassem a ter uma perspectiva de futuro (não, elas não tinham e nem se viam tão capazes assim de ter um ensino superior ou realizar seus sonhos) e foi muito gratificante ver que o nosso trabalho deixou um impacto!

Nós trabalhamos união, sentimentos, diversidade cultural e familiar e perspectiva de futuro e de alguma forma, contribuímos para que elas se tornassem melhores versões delas mesmas, também deixamos uma marca que foi a nossa presença e carinho por elas.

Entre diversas coisas, uma das que eu mais aprendi com elas foi a ter resiliência e saber dançar e brincar em meio as situações difíceis da vida.  

Além do projeto, sem dúvida, uma das aventuras mais marcantes foi conhecer uma das 7 maravilhas do mundo: Machu Picchu.  

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Machu Picchu e intercâmbio voluntário (Foto: Estela Mírian)

Um lugar maravilhoso que carrega muita história, muita cultura e uma lindeza incrível.

Eu fiz tudo pela opção mais barata, então, tive que caminhar muito e sofrer subindo os diversos degraus para chegar ao topo. E olha, não é nada fácil, mas no fim vale muito a pena!

Toda aquela vista, toda a explicação da história do porque as pessoas viviam ali sem falar das diversas nacionalidades que estavam lá vale muito a pena.

Machu Picchu é um pedaço do mundo e um pedaço do mundo estava em Machu Picchu.

Foi muito legal ver que com as dificuldades da trilha para subir a montanha, que mesmo de nacionalidades diferentes, mesmo sem poder se comunicar, as pessoas ajudavam umas às outras quando saiam do caminho correto, quando tinha alguma dificuldade no meio do caminho, até ofereciam água quando você parecia muito cansado. Quem dera o restante do mundo fosse assim!

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Experiências de viagens no Peru (Foto: Estela Mírian)

Outros territórios também são bem interessantes de se visitar, como Cusco, a Montanha de 7 cores, Ollantaytambo, fazer a trilha Inca, entre outros lugares que vale a pena dar uma passada.

RETORNO AO BRASIL

Voltar para casa, para o aconchego da sua família e dos amigos é um sentimento muito bom. Ser bem recebida, ver aqueles olhinhos brilhando para ouvir suas histórias e aqueles sorrisos alegres e de orgulho é uma ótima sensação. Mas também há partes difíceis em voltar para casa.

Depois de toda a viagem, de toda essa aventura que parecia uma dimensão bem distante da minha vida, a parte mais difícil em retornar ao meu país natal foi deixar os amigos que eu fiz lá e retornar outra pessoa.

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Lembranças de intercâmbio voluntário no Peru (Foto: Estela Mírian)

Eu já não era a mesma pessoa que saí. Já não era aquela pessoa insegura que não acreditava que podiam alcançar seus sonhos.

Uma experiência dessa muda muito a gente. Desde o momento da assinatura de contrato, do sim, vou viajar até o momento que você retorna à casa.

Saiba mais sobre AIESEC

Um intercâmbio voluntário não é só uma viagem para conhecer outro país e fazer um projeto que vai agregar no currículo. Também é, mas há muito mais em jogo.

Você se desenvolve, se descobre, se reinventa. Você impacta outras pessoas enquanto elas lhe impactam.

Dificilmente, não tem como voltar sem nem mudar a sua visão sobre algo. A minha perspectiva de mundo mudou muito.

Só sei que voltei diferente. É como se cada pessoa que conheci lá, que tive aventuras e convivi deixasse um pedaço de seus corações comigo. E depois de um remendo bem feito, meu coração já não era mais só meu. Ele carregava diversos rostos e sotaques. É assim, a gente vai se reinventando com as experiências da vida.

E voltar ao Brasil, voltar a minha rotina diária, um lugar que todos esperavam que eu fosse a mesma pessoa e voltasse a realizar tudo do mesmo modo foi diferente. Foi necessária uma readaptação para que as pessoas e eu mesma entendesse o que estava acontecendo, o que havia mudado.

É, a vida é mesmo um ciclo. As coisas estão mudando a todo momento e pessoas novas entram no nosso caminho. Nós mudamos, aprendemos, choramos. E me jogar nessa experiência, viajar e conhecer esse país iniciou um novo ciclo da minha vida que eu ainda irei descobrir o fim!

Já estou planejando a minha próxima viagem!

E espero que você que esteja lendo, saiba que não há nada que lhe possa impedir de realizar seus sonhos e que a vida e as oportunidades estão esperando por você!

“Simbora” impactar esse mundo! “Simbora” se reinventar!

Dados do Intercâmbio:

Período de realização: Dezembro de 2016 à Janeiro de 2017
País de destino: Peru
Projeto Realizado: Impacta Hoy

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