Rota da Seda Moderna é aposta da China para comércio internacional

China investe pesado em transporte ferroviário e cria “Rota da Seda Moderna”

Que a China se transformou em uma potência econômica nas últimas décadas, isso não podemos negar.

E seu pensamento e atuação estratégica em relação a transações econômicas e abertura de mercados sempre está um passo a frente de seus concorrentes.

Mas o fato é que a China já era uma excelente negociadora desde tempos milenares, da Rota da Seda.

Esta Rota começou em 200 a.C., onde caravanas de seda chinesas eram transportadas para Europa e África.

A trilha proporcionou muita riqueza e prestígio para o Império chinês e configurou sua potência econômica desde aqueles tempos antigos.

A fim de criar a “Rota da Seda Moderna“, a China iniciou um serviço de transporte ferroviário de mercadorias para a o Reino Unido como parte dos esforços do presidente Xi Jinping para fortalecer os laços comerciais com a Europa.

E foi assim que o ano de 2017 começou para a China.

Em 1 de Janeiro de 2017, o país enviou o primeiro comboio carregado, que partiu de Yiwu na província oriental de Zhejiang.

A rota férrea cobrirá mais de 12 mil quilômetros em cerca de 18 dias antes de chegar a Londres, informou a China Railway Corp, administradora da empreitada.

trem china rota da seda moderna

Rota da Seda moderna (Foto: Forbes)

O serviço estará abrindo portas (ou trilhos) para o comércio internacional de bens, transportando roupas, malas, entre outros itens diversos, no melhor estilo “Made in China”.

O trem passará pelo Cazaquistão, Rússia, Bielorrússia, Polônia, Alemanha, Bélgica e França, além é claro da China e Inglaterra, início e final do trajeto, respectivamente.

Com este investimento logístico, Londres se torna a 15ª cidade européia com trens diretos da China, após a inauguração da chamada iniciativa Belt-and-Road, pelo presidente Xi Jinpingem.

Este plano coloca esforços ousados da logística internacional e comércio multilateral para criar uma “Rota da Seda Moderna” e aumentar os laços comerciais com os mercados através da Ásia, África, Oriente Médio e Europa.

Mas vocês pode estar se perguntando: “Vale a pena eles investirem no transporte ferroviário se já existe a opção de transporte aéreo ou marítimo?”

Muito simples a resposta, pois nenhum investidor, empresa e governo são ignorantes a ponto de arriscar muito dinheiro para nada.

Trem chines na ferrovia

Trem chinês na ferrovia (Foto: Khorgos Gateway)

Enquanto que o trem pode transportar cerca de 200 contêineres, contra 20 mil em um grande navio de carga, a viagem leva cerca de metade do tempo de uma viagem de 30 dias entre o Leste Asiático e o norte da Europa.

Ou seja, ganha-se em tempo, perde-se em quantidade.

Mas além disso, de acordo com Michael White, diretor de operações da Brunel Shipping, agente de reservas no Reino Unido, a logística do trem chinês fará com que o transporte ferroviário seja uma opção competitiva quando os embarques marítimos são interrompidos ou perdem a partida, especialmente em comparação com o frete aéreo, que custa o dobro.

Assim sendo, a nova rota desbloqueia uma nova opção para os carregadores, que atualmente é uma escolha dupla.

A primeira é fazer a rota marítima, que, embora mais barata, pode ser muito mais lenta.

A segunda opção é usar uma transportadora aérea que é consideravelmente mais rápida, só que muito mais cara.

Com isso, a nova opção que imerge neste contexto é o transporte ferroviário.

Uma ligação ferroviária direta entre China e a Europa permite aos fabricantes explorar novos meios para reduzir os custos de transporte o que poderá impactar nos preços dos produtos comercializados mundialmente.

trem container chines

Trem chinês indo para Europa (Foto: TBN Group)

Eu acredito que essa jogada de mercado pode ser interessante para os consumos globais e é claro, para quem está apostando no retorno financeiro a longo prazo.

A linha férrea não pode fornecer uma alternativa apropriada a todos os produtores, mas os negociadores mais inteligentes podem alavancar o mercado, com preços mais baixos, se comparado a logística dos trajetos estabelecidos pelos navios ou aviões.

Mas nem tudo é fácil como se imagina.

A viagem é tanto um desafio de engenharia como um problema logístico.

O frete deve trocar os trens ao longo do caminho, assim como os calibres da estrada de ferro, que variam entre os países de conexão.

Só nos resta saber os próximos passos desse plano e se irão incluir, em um futuro próximo, o transporte de pessoas.

Rota da Seda Moderna

A China reservou cerca de US$ 40 bilhões em um fundo para financiar estradas e ferrovias no exterior sob a estratégia do presidente Xi Jinpingem.

Enquanto isso, o comércio com os países ao longo do corredor férreo poderia chegar a US$ 2,5 trilhões em cerca de uma década, diz Yao Gang, vice-presidente da China Securities Regulatory Commission.

Trem de carga chinês (Foto: Los Angeles Times)

As estradas de ferro são uma das principais prioridades do presidente chinês que anunciou que planeja gastar 3,5 trilhões de yuans (503 bilhões de dólares) para expandir o sistema férreo chinês até 2020.

Uma rede de trens de alta velocidade irá abranger mais de 30 mil quilômetros.

A distância, cerca de 6,5 vezes o comprimento de uma viagem feita por estrada entre Nova York e Los Angeles, cobrirá 80% das principais cidades da China.

A China também usou ferrovias como uma ferramenta diplomática no exterior. Os fabricantes chineses de comboios domésticos têm como alvo os mercados emergentes na África, América Latina e Sudeste Asiático para encomendas relacionadas com o transporte ferroviário, ao mesmo tempo em que oferecem licitações para contratos de alto perfil no mundo desenvolvido.

Acho que o Brasil deveria aprender mais com a mentalidade de investimento futuro Chinês, também começando hoje para colher frutos amanhã.

Assim poderíamos reativar nossas linhas férreas da época próspera do comércio cafeeiro no Brasil e investir em novas rotas.

Imagine você podendo ir de trem para uma cidade que antes só conseguiria de avião ou de carro a longas horas no volante?

De fato, este projeto chinês irá mudar a maneira do comércio internacional se relacionar e abrirá  caminhos para novos projetos que eu acredito (e espero!) esteja também o transporte de passageiros!

Fonte de pesquisa: Forbes e Bloomberg

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