Samaipata

“Descanso nas alturas” – Um dia por Samaipata

TEXTO ENVIADO POR ELYDIMARA REIS E GABRIEL SOBRAL

Nosso passeio iniciou-se com partida de Santa Cruz de La Sierra às 10:40 horas (planejamos sair antes, mas tivemos contratempos no caminho – pegamos ônibus para o sentido errado e fomos parar em um bairro muito, mas muito distante) rumo à Samaipata, uma pequena cidade, também boliviana.

De Santa Cruz de La Sierra a Samaipata seguimos de “trufe”, um veículo como uma mini van (mas também poderia ser um carro de 5 lugares) que opera como um táxi compartilhado com rota pré-estabelecida.

Seguimos no trufe com um casal de bolivianos e sua filha de cerca de 4 anos e duas alemãs, que desembarcaram um pouco antes do nosso destino final para aproveitar as cachoeiras de uma cidade chamada Cuevas.

O custo para duas pessoas foi 60 bolivianos  [$b 60]  (R$ 34,60 – cotação do dia 22/02/2016).

Optamos por ir de trufe porque costuma ser mais rápido que ir de ônibus.

O caminho, embora bastante sinuoso (o que causava certa preocupação, inclusive porque segundo disseram a localidade é marcada por deslizamentos de terra) era muito belo, com bastante mata e montanhas.

Chegada a Samaipata

Chegando a Samaipata às 12:20 horas aproveitamos para almoçar, comprar deliciosos chocolates artesanais e marcar um táxi que nos levaria até o Parque Arqueológico “El Fuerte de Samaipata” que fica um pouco distante da cidade e em um ponto bem alto, a cerca de 2000 metros de altitude.

Por ser muito pequena e não haver planejamento, a cidade não fornecia ônibus para este trajeto.

A cidade é bem aconchegante, vimos uma igreja e a praça central.

Uma pena, mas não conseguimos visitar o Museu de Samaipata, pois este estava fechado no horário em que chegamos à cidade e na volta do Forte não tivemos tempo para visitá-lo, mas, ao que consta, o museu possui acervo com objetos encontrados no Forte, além de um vídeo contando a história do mesmo.

O taxista

Reservamos o táxi em uma espécie de cooperativa local, no entanto, mal podíamos imaginar os quão agraciados seríamos.

“Di Juan Montenegro”, um Sr. Super Figura e apaixonado por Beatles foi quem nos serviu como taxista.

Ele ajudou na instalação das primeiras barreiras de proteção do Parque Arqueológico junto a seu pai, primos e irmãos e também nas primeiras escavações, isso antes mesmo da sua transformação em Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, quando o espaço ainda era utilizado para pastagem de animais.

O Táxi

Um “jeep” Toyota Land Cruiser azul super antigo e personalizado pelo Sr. Di Juan foi nosso táxi.

Meio de transporte das redondezas (Foto: Gabriel Sobral e Elydimara Reis)

Meio de transporte das redondezas (Foto: Elydimara Reis)

O veículo junto ao Sr.Di Juan, suas luvas de couro e chapéu, enriqueceram nossa trajeto da cidade até o Forte, embalado pelas histórias que nos foram sendo contadas, tudo isso ao som de Beatles.

O preço do táxi? 100 bolivianos (pouco mais de R$ 57,70 – cotação do dia 22/02/2016) para duas pessoas.

El Fuerte de Samaipata

Samaipata significa “Descanso nas Alturas”. Não é a toa que El Fuerte de Samaipata tenha uma vista tão bela dos montes cobertos por vegetação.

O espaço do sítio é bem equipado com corrimões; escadas; pontos para mirante para que o visitante observe o entorno, tire fotos ou mesmo para que fale e ouça ecoar sua voz; sinalização turística; mapas para visitas independentes contendo informações tanto de localização quanto da história local, mas também fornece serviço de guia, cobrado a parte.

Ponto de parada na trilha de Samaipata (Foto: Elydimara Reis)

Ponto de parada na trilha de Samaipata (Foto: Elydimara Reis)

Não nos recordamos de ter visto banheiros ou lanchonete no local, mas vimos venda de artesanato e lembrancinhas feitas de pedra.

O ingresso tem preços diferentes para visitantes nacionais e estrangeiros.

Ingresso para entrada no Sítio Arqueológico e Museu em Samaipata (Foto: Elydimara Reis)

Ingresso para entrada no Sítio Arqueológico e Museu em Samaipata (Foto: Elydimara Reis)

No nosso caso (estrangeiros) $b 50 (cerca de R$ 29,00) por pessoa, com direito a visita ao Museu.

Fizemos a visitação em 2 horas.

Conhecido popularmente como “El Fuerte”, o local é, conforme já mencionado, patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela UNESCO em 1998, mas, muito antes disto e por isto é que se tornou patrimônio, o local, devido a sua localização privilegiada foi um ponto de grande convergência cultural.

A denominação “El Fuerte” remete à chegada dos espanhóis que viram no local um posicionamento privilegiado que servia como estratégia para dominar e controlar os povos indígenas ao redor.

Uma das ocupações do local foi dada pelos Incas e data de aproximadamente 1300-1450 d.C, período pré hispânico no qual, segundo pesquisas, o espaço era tido como um complexo separado em setor cerimonial e administrativo.

Grandiosa rocha cheia de mistérios, em Samaipata (Foto: Gabriel Sobral)

Grandiosa rocha cheia de mistérios, em Samaipata (Foto: Gabriel Sobral)

O local ainda passa por escavações (e muitas dificuldades por falta de verba, incentivo e muita burocracia) que revelam muitas novas descobertas. No entanto, no setor cerimonial vimos uma grandiosa rocha esculpida, considerada uma das maiores construções monolíticas já feitas pelo homem (220 m x 65 m) e que revela formas cheias de significados místico-religiosos.

Detalhes na rocha maciça (Foto: Gabriel Sobral)

Detalhes na rocha maciça (Foto: Gabriel Sobral)

Conforme material impresso que nos foi entregue, provavelmente este espaço era usado para fins hidráulicos em ritos de purificação e fertilidade; como um calendário astronômico e para culto aos animais como representantes de divindades.

Acredita-se que tenha sido esculpida pelos Chanés, civilização anterior à dos Incas (800-1300 d.C.) e cujo desaparecimento não se sabe ao certo a causa.

Cerca de 100 anos depois do desaparecimento dos Chanés os Incas ocuparam a região, no entanto, estes dominavam técnicas de construção mais avançadas o que permitiu que suas construções resistissem por mais tempo.

Conjunto de casas construídas pelos Incas em Samaipata (Foto: Gabriel Sobral)

Conjunto de casas construídas pelos Incas em Samaipata (Foto: Gabriel Sobral)

Samaipata foi escolhida pelos Incas como estratégia para escapar das áreas mais planas conhecidas pelos índios guaranis que eram excelentes guerreiros e chegou a ser considerada uma capital do Império Inca em processo de construção (1450 – 1550 d.C.). No entanto, no começo do século XVI com a chegada dos espanhóis a civilização Inca acabou perdendo força.

Nem todos foram aniquilados imediatamente, mas, muitos passaram a servir aos espanhóis e muitas mulheres prefeririam o suicídio, antes mesmo do fim da batalha, a se entregarem às atrocidades dos espanhóis.

Já no setor administrativo, vimos resquícios de estruturas arquitetônicas de variadas ocupações, uma destas estruturas havia sido alterada pelos espanhóis que desmontaram parte das construções que haviam no local antes da sua chegada para usar os materiais nas construções de seus interesses, daí a mescla de estilos observada nos dias de hoje.

Resquícios de uma casa espanhola (Foto: Gabriel Sobral)

Resquícios de uma casa espanhola (Foto: Gabriel Sobral)

Este setor compreendia áreas administrativas, de vigilância, agrícolas, comerciais, militares, entre outras.

A volta

A princípio também voltaríamos de trufe, sendo este serviço contratado na hora.

Porém, ficamos muito tempo junto ao veículo encontrado no ponto de partida esperando para preencher sua capacidade total (pelo que entendemos o objetivo era colocar pelo menos uma pessoa além da capacidade) e eis que já cansados passou por nós um ônibus sentido Santa Cruz.

Não hesitamos em correr atrás do mesmo que sinalizava parar logo à frente.

Eram 17:40 horas, o ônibus estava cheio de bolivianos e parou para o embarque. Entramos sem saber sequer o preço ou mesmo o ponto de parada.

Mas as maiores preocupações eram o anoitecer na estrada que era muito sinuosa e sermos abordados pelo motorista do trufe, se por ventura este tivesse ficado muito bravo conosco por, literalmente, termos saído correndo.

O preço foi bom, pelo menos mais barato que o trufe, 40 bolivarianos para duas pessoas, já o ponto de parada um pouco distante…

A cidade é organizada por “anillos”, configuração circular como a de um anel mesmo. Descemos no Anillo 3, mas precisávamos dar uma volta gigante para chegar ao Anillo 1.

Já era noite (20:40 horas quando desembarcamos) e quase pegamos o trufe no sentido errado (de novo). Mas, desta vez fomos um pouco mais espertos e pedimos informação a um universitário que viajou no mesmo ônibus que nós e conseguimos um táxi para voltar em segurança ao hotel.

Por fim, cabe acrescentar que o local valeu muito a visitação, além de belo é bastante rico culturalmente.

Gostaríamos de ter passado pelo menos uma noite na Vila, possibilidade que existe devido à presença de meios de hospedagem (aparentemente simples) no local.

Recomendamos aos futuros viajantes que pensem na possibilidade de pernoitar no local, não o fizemos apenas porque na manhã seguinte à visita embarcamos de Santa Cruz de La Sierra de volta pra casa.

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